Transformação do “Digital Twin” no setor naval e offshore

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Seja em terra firme ou em alto mar, a dinâmica que envolve todo o ecossistema marítimo precisa funcionar em sincronia com os avanços impulsionados pela transformação digital. Nesse contexto, tecnologias como o “Digital Twin” (Gêmeo Digital) chegam para garantir mais eficiência operacional em navios e plataformas offshore.

Graças a sua capacidade de simular um elemento ou sistema físico em um universo virtual, essa inovação consegue replicar as condições do ativo de interesse com grande acurácia, identificar pontos de potenciais falhas, bem como gerar insights para melhoria dos sistemas a bordo. Assim, é possível tornar os processos a bordo mais seguros,  gerando  mais valor ao ativo, em especial, nos casos dos navios e unidades de produção.

“Digital Twin” – um conceito emergente 

Simulações virtuais e fiéis à realidade, o “Digital Twin” é uma tecnologia disruptiva que vem se expandindo rapidamente em diferentes segmentos e na indústria naval não é diferente.

Considerada um dos pilares da chamada indústria 4.0, os “gêmeos digitais” já representam o presente e o futuro no ecossistema marítimo. Afinal, por meio desse recurso computacional, torna-se possível reduzir custos e “downtime” por meio de abordagens preventivas que tornem a operação do ativo mais eficiente e prática. 

O que muda com o “Digital Twin”?

Com a implementação dessa solução moderna que permite replicar ambientes, produtos e processos no ecossistema marítimo e construção naval, será possível maximizar a eficiência das operações, antevendo problemas em meio a fase de desenvolvimento e validando de modo virtual possíveis cenários, assim como a capacidade funcional de seus produtos, mas sem gerar maiores custos nesse processo, uma vez que essas simulações não interferem na prototipagem de projetos futuros.

Desse modo, além de representar um benefício financeiro para as empresas do setor naval, a implantação do “Digital Twin” também irá garantir maior segurança aos processos de projeção, análise, desenvolvimento e execução de produtos e serviços nesse mercado.

Mais do que isso, as empresas que adotam as tecnologias de simulação, conseguem se sobressair diante da concorrência, uma vez que viabilizam o desenvolvimento de diferentes tipos de embarcações e plataformas com mais agilidade e eficiência. O que inclui desde plataformas offshore, até unidades semi-submersíveis, fragatas, cruzeiros entre outras construções.

Isso sem contar que os “gêmeos digitais” representam a porta de entrada para automação de processos de desenvolvimento, pois viabilizam o acesso remoto a projetos em tempo integral. Desse modo, diferentes equipes podem ter acesso às informações do sistema e atuar de forma colaborativa alcançando maior produtividade e garantindo a entrega de produtos mais inteligentes, com o menor tempo de desenvolvimento.

Trata-se, portanto, de uma nova realidade para o setor naval, em que a partir da simulação proposta pelo Digital Twin é possível melhorar o desempenho, gerando com isso maior integridade estrutural, confiabilidade, durabilidade, além de custos mais acessíveis ao setor.

Desafios e tendências

De modo geral, o “Digital Twin” é uma tecnologia que se mostra de grande valia ao segmento naval e offshore, na medida em que traz maior controle e previsão de resultados na testagem de soluções aplicáveis a esse cenário, em um intervalo de tempo bem menor. 

Apesar disso, ainda existem entraves para a evolução da implantação desse recurso no ecossistema marítimo. Um deles se refere a maior cadência do processo de digitalização usado em navios e portos. Como se trata de um setor muito tradicional, a inclusão de novas tecnologias geralmente fica sujeita a uma mudança quase cultural, o que demanda tempo.

A escassez de empresas especializadas que possam auxiliar no desenho e implantação de novas tecnologias como o “Digital Twin” é outro desafio, assim como também a qualidade reduzida da infraestrutura de conectividade capaz de suportar essas inovações na indústria marítima.

Até pouco tempo, não haviam tecnologias com configurações suficientes para ancorar essa técnica. Mas, com a ascensão de novas soluções de IA (Inteligência Artificial) e IoT (Internet das Coisas), hoje as empresas do setor já podem experimentar a simulação para testar diversos cenários e produtos antes deles ocorrerem na prática, ocasionando ganhos em eficiência e otimização de processos.

Vale dizer ainda que esse é um mercado em que a tecnologia pode ir mais além. Algumas tendências como o “Smart Twin”, já vem se tornando o foco de organizações como a Petrobras, por exemplo, que busca avançar na implementação da inteligência artificial, para simular dados ainda na planta e, com isso, permitir que o “Digital Twin” consiga melhorar resultados em prazos de tempo ainda mais curtos ou mesmo de forma autônoma.

A tendência é que mais empresas do setor continuem aprimorando essa tecnologia para extrair mais benefícios dessa inovação. De acordo com o último relatório da “Market and Markets”, a estimativa é que o mercado de Digital Twins supere os TS$73,5 bilhões até 2027. Isto representa nada menos que um crescimento anual na ordem de 60,6%, ou seja, ainda há muito o que explorar nesse mercado.

A transformação do “Digital Twin” é sem dúvida o pontapé inicial para um maior crescimento e escalabilidade da indústria naval e plataformas offshore. Logo, iniciativas voltadas para a implantação desse conceito é o caminho para que a indústria naval no país alcance patamares evolutivos ainda maiores.

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